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terça-feira, 24 de março de 2020

Ele há dias de sorte…



Era mais um dia como outro qualquer. Afinal, agora todos os dias parecem iguais. Longe vai o tempo da rotina casa – trabalho, trabalho – casa. Que saudade. Agora a rotina é quarto – sala, sala – cozinha, cozinha – quarto. Quando quero dar uma volta vou à varanda. O mais curioso é que na era a.c. (antes de corona) eu adorava estar em casa, mas detestava sair para trabalhar. Agora estou em regime de teletrabalho. Tenho medo que na era d.c. (depois de corona) comece a gostar de trabalhar.   

Mas hoje a monotonia do meu trabalho caseiro foi interrompida por uma agradável chamada. “Estou a ligar por causa do artigo no OLX, ainda está disponível?” Alguma coisa para animar o dia. O potencial cliente não foi particularmente persistente na negociação, nem tive de baixar valor. Pensei que talvez fossem as minhas apuradas competências comerciais. Ou então o preço estava, de facto, simpático. Bom, nada disso era importante. O que interessava era que finalmente ia poder vender o Citroen Ax.

Tudo foi fácil, o senhor até se disponibilizou para fazer o pagamento adiantado para não haver nenhum impedimento ao negócio. Assim está bem, ainda há pessoas sérias. Mas perguntei: “Então e quer fazer o pagamento antes de vir buscar o carro? Não quer antes fazer o pagamento em numerário quando vier buscar?” Mas não dava, pelos vistos o senhor tinha coisas a fazer, e não podia vir buscar o carro, pelo que iria mandar um reboque. Percebe-se. O senhor era do Alentejo, a viagem era longa. Além disso, não tinha que desconfiar de mim, mesmo que não me conhecesse, nem nunca me tivesse visto, nem tampouco soubesse se eu tinha efetivamente um Citroen Ax para venda. Afinal, não há que duvidar das pessoas. Perguntei: “Então quer fazer o pagamento por transferência bancária?”. Ao que o senhor respondeu: ““Não, muito mais fácil. Eu vou enviar-lhe por MBWay. Basta ir ao Multibanco mais próximo para receber o dinheiro!”.

Eu disse que nunca tinha usado o MBWay e não sabia como funcionava. A pessoa indicou que bastava dirigir-me ao multibanco e que depois me dava todas as indicações. Não só me ia pagar adiantado, como se disponibilizava a explicar-me como fazer para receber o dinheiro de imediato. Realmente, ainda há pessoas com bom coração.

E eu, claro, desloquei-me à ATM mais próxima. Mas nem tudo correu bem. Pelo caminho, fui mandado para por uma patrulha da GNR. Tive de justificar o motivo de estar a infringir o estado de emergência e não estar a cumprir o dever de recolhimento obrigatório. Tive de recorrer à primeira desculpa que me veio à cabeça: “Sr. Guarda, é que acabou o papel higiênico lá em casa!”. Não me senti bem, não gosto de mentir, muito menos estando a arriscar uma pena de prisão. Contudo, por 500 paus valia a pena o risco.

Conforme combinado, quando cheguei ao Multibanco contactei o comprador. O senhor deu-me todas as instruções necessárias. Acedi à minha conta, introduzi o número dele e dei-lhe o código que me pediu. Estava concluído. Pediu-me para aguardar, enquanto ia fazer a transferência, e que me ligava logo de seguida. Aguardei 5 minutos, 10 minutos, 15 minutos. Nada. 

Entretanto liguei para o senhor. Desligado. Por certo, terá ficado sem bateria. Pessoas ocupadas, entende-se, a bateria anda sempre no red lineDecidi consultar o meu saldo. Não fosse o senhor já ter feito a transferência e, por alguma eventualidade, não ter um carregador e uma tomada à mão. Quando consultei tinha dois movimentos de -200,00€. Fiquei sem 400,00€.

Esta história é verídica. Mas só até à sentença: “Não, muito mais fácil. Eu vou enviar-lhe por MBWay. Basta ir ao Multibanco mais próximo para receber o dinheiro!”. Foi nessa altura que tive a certeza de que estava a ser alvo de uma tentativa de burla. Continuei a chamada normalmente. Concordei em ligar de volta quando estivesse no Multibanco. Depois de desligar, coloquei o número na lista do spam. Fim de história.

Cuidado com as burlas através do MBWay. Nunca terão de se deslocar a um Multibanco para receber dinheiro por MBWay. Passem a informação, principalmente, aos menos jovens, que têm sido as principais vítimas.  

PS: Se alguém quiser um Ax, é só dar um call.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Festival #EuFicoEmCasa



Hoje, finalmente, estive a acompanhar o Festival #EuFicoEmCasa e realmente é uma grande iniciativa. São 78 artistas portugueses que se uniram para realizar um festival de música, online e gratuito, com um objetivo simples: ajudar as pessoas a passar o tempo do isolamento! Eles são, certamente, das pessoas mais afetadas pelo estado atual que o país (e o mundo) atravessa, ou não estivessem impedidos de realizar espetáculos. Mesmo assim, não se escusaram a aderir a este movimento. O festival vai até dia 22, por isso não deixem de acompanhar aqui. Uma salva de palmas para os artistas e para a música nacional!

sábado, 14 de março de 2020

Pimenta no c* dos outros é refresco…

Todos nós tínhamos ainda na retina as dezenas de vítimas mortais dos incêndios de 2017. Isso, por si só, não era um bom indicador da capacidade dos Governos de António Costa em gerir calamidades. Por isso, quando a diretora-geral da Saúde disse que este vírus “dificilmente chegaria a Portugal”, deveríamos ter desconfiado. No fundo, todos queríamos acreditar que aquilo era verdade.

Ninguém apontaria o dedo a Graça Freitas por não ter informação concreta naquela altura. Bastaria um simples: “Ainda não se conhece verdadeiramente a capacidade deste vírus. Vamos aguardar sem alarmismos”. Mas difundir uma informação imprecisa e sem validação científica, ainda que com a melhor das intenções, não foi uma decisão acertada. Em sua defesa, verdade seja dita, a própria OMS duvidou da capacidade de transmissão entre humanos e da letalidade deste novo vírus.

O que é facto é que o discurso mudou. A nossa diretora-geral da Saúde já admite que o número de infetados pelo COVID-19 pode atingir 1 milhão de portugueses. A ministra da Saúde, Marta Temido, pessoa bastante mais equilibrada e ponderada, avisou que as “próximas semanas vão ser duras”.

Esta situação faz-me lembrar a fome em África. Todos concordamos que é triste. Mas quem sabe realmente o que é isso? Alguém consegue sequer saltar uma refeição? Pois é, pimenta no cú dos outros é refresco.

Era giro fazer uma Corona Party quando o coronavírus era apenas uma notícia na televisão. Melhor ainda era ir para a praia quando as escolas encerravam, ou até ir sair à noite, quando o vírus estava lá longe. Mas agora o bicho está a aproximar-se. Não tarda vai estar no nosso distrito, na nossa cidade, no nosso bairro. E tomara que não entre nas nossas casas.

É importante que todos respeitem as indicações das autoridades responsáveis, nomeadamente o Governo e a Direção Geral da Saúde. Mais importante ainda é perceber que há uma diferença enorme entre ter 1 milhão de infetados ao longo de 4 ou 5 meses, do que ter 1 milhão de infetados em 4 ou 5 semanas. É a diferença entre o SNS dar resposta ou colapsar.   

Todos vimos o que aconteceu com os nossos amigos italianos. Não queremos ter de escolher quem vai ser tratado. Queremos tratar todos, mesmo que nem todos tenham a mesma capacidade para vencer este inimigo.

Protejam-se. Por mim, por vocês, pelos vossos familiares, por todos nós.

domingo, 5 de janeiro de 2020

70x7 Perdões

Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?"
Jesus respondeu: "Eu digo a você: Não até sete, mas até setenta vezes sete." (Mateus 18:21,22)

Estão assim justificados os sucessivos perdões aos maiores caloteiros da nossa praça pública. E, pelo andar da carruagem, ainda há margem para mais uns quantos perdões. Assim haja dívidas!


sábado, 4 de janeiro de 2020

Sindicalização pela produtividade...



De acordo com a Newsletter diária do Expresso, a produtividade das empresas aumenta 7% por cada ponto percentual a mais no rácio de delegados sindicais por trabalhador. Os dados são provenientes de um estudo realizado por Pedro Martins, ex-secretário de Estado do Emprego (XIX Governo Constitucional).

Ora, quer isto dizer que, se chegarmos aos 100% de sindicalização, podemos aumentar a produtividade das empresas em 700%. É isso, está resolvido o problema da produtividade das empresas portuguesas! E eu que pensava que apenas se sindicalizava quem não gosta muito de trabalhar. Ele há coisas.

Por acaso, gostava de saber as verdadeiras motivações deste estudo mas, ou muito me engano, ou teve outro propósito que não o interesse das empresas. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Trump(a)!

A tensão entre os EUA e o Irão vai de mal a pior! 

Em 2016, antes de vencer as eleições para a presidência, Donald Trump já tinha criticado a forma como Barack Obama estava a lidar com as negociações do acordo nuclear com o Irão. Em 2018, já com Trump na Casa Branca, os EUA retiraram-se das negociações. Desde aí, a tensão tem vindo a aumentar.

Hoje, um ataque aéreo ordenado por Donald Trump, resultou na morte do general iraniano Qassem Soleimani. O Irão já prometeu vingança.´

Estamos a viver um período de paz armada? 





quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Não é preciso ser mais papista que o Papa!

Foi ontem, no discurso de comemoração do Dia Mundial da Paz, que o Papa Francisco condenou “a violência infringida às mulheres”. O mais curioso é que na noite anterior, enquanto caminhava junto da multidão, o mesmo Francisco tinha-se exaltado, justamente, com uma mulher. Talvez extasiada perante a proximidade de Sua Santidade, a devota agarrou o braço de Francisco e puxou-o com veemência. O Papa não gostou, fez cara feia, praguejou rapidamente com a mulher e deu-lhe, digamos, uma palmada na mão. É caso para dizer: "Também não é preciso ser mais papista que o Papa!"